Crise no emprego. Em seis anos foram fechados 1.213 postos de trabalho, segundo CAGED
É a segunda pior situação da Bahia. Somente em 2009 e 2010 foram 597 empregos extintos
Na última semana, dia 18, o Ministério do Trabalho divulgou as informações do mês de dezembro e de todo o ano de 2010, do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED). O Brasil bateu o recorde de emprego criado em um só ano em toda sua história, superou 2,5 milhões de novos postos de Trabalho. No mesmo sentido situou-se o estado da Bahia com a criação de 108,7 mil novos postos de trabalho.
As informações do CAGED para o município de Catu são preocupantes. Em dezembro, mais uma vez o município voltou a fechar postos de trabalho, foram 58, puxados pela indústria de transformação e os serviços, que obtiveram saldos negativos no mês de 20 e 18 empregos, respectivamente. No ano, Catu acumulou um saldo negativo de 231 empregos. Os resultados são ainda mais críticos ao perceber-se que foram os setores sustentadores da economia catuense que afrentaram situação delicada. A Indústria de transformação sozinha fechou 168 postos de trabalho em 2010, seguida pelos Serviços e Indústria extrativa mineral que extinguiram 91 e 38 postos de trabalho, consecutivamente. Dos 12 meses do ano, em apenas em 3 o saldo foi positivo, em consequência Catu amargou o 7º pior mercado de trabalho do Estado. Municípios vizinhos como Alagoinhas e Pojuca, se posicionaram entre os 20 melhores resultados do estado.
De fato o município de Catu se defronta com uma profunda crise econômica, evidenciada pelo comportamento do mercado de trabalho. Afirmar que há uma crise no emprego após resultados de um ano poderia ser irresponsabilidade. Assim como seria, se não se observar a situação dos demais municípios, sobretudo os vizinhos. Contudo a situação não é essa. O que corrobora esta informação são os dados do CAGED entre 2005 e 2010, onde aponta que em Catu foram fechados no período 1.213 postos de trabalho, sendo o 2º pior resultado no estado, na frente apenas de Sento Sé, que extinguiu 1.440 empregos. Enquanto isso, entre 2005 e 2010, Pojuca criou 3.091 novos empregos e Alagoinhas 3.836.
A afirmação de crise pode ser aplicada pelo fato de ser estrutural e sistêmica, isto é, atingiu as principais bases produtivas no município e não foi pontual, todos os setores, com exceção do comércio, estão demitindo mais do que contratando. Em 2010 o resultado não foi ainda mais dramático por conta dos 95 novos empregos gerados pelo comércio.
Uma das causas da estagnação econômica do município, que já perdura anos, está ligada ao pouco grau de diversificação das atividades. O mercado de trabalho esta diretamente dependente do desempenho das atividades de extração de petróleo. Desta forma, a prestação de serviços especializados para a industria petrolífera que é a principal geradora de empregos no município fica dependente dos projetos e investimentos das petroleiras, sobretudo a Petrobrás. Os demais segmentos dos serviços e comércio dependem da renda gerada por estes empregos. Assim sendo, qualquer queda nos contratos das prestadoras de serviço impacta sobre toda economia negativamente.
Neste tipo de cenário uma ação mais efetiva do estado, aqui representado pela prefeitura, ajuda a reestimular a economia em recessão, através de investimentos produtivos, sobretudo obras e infraestrutura, que além de beneficiar a população com a ampliação do bem-estar alavanca a construção civil que tem papel relevante no município. Estes novos empregos geram renda, que irá gerar consumo, que irá gerar contratações, e por ai vai, o chamado efeito multiplicador. Mas só um detalhe. O comércio e serviços são segmentos importantes para ajustamento nos períodos de recessão, assim como um bom termômetro de desempenho. Apesar de em Catu, o comércio ter sido o único setor a gerar novos empregos, não existe politica de fomento a estas atividades, sobretudo com o objetivo de internalizar a renda. Porque para qualquer politica anticíclica que siga este viés funcionar por aqui este problema terá de ser resolvido, caso contrário o efeito multiplicador será reduzido.
Por: Magnum Seixas




