“Tráfico de drogas impera nas escolas”, afirmam professores em contato com o Expresso
"Professores sentem-se amedrontados, alguns já desistiram da profissão. Há ameaças diretas a diretores por parte de traficantes”, denuncia professora
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| Professor afirma que alunos andam armados com punhais, estiletes e bisturis. Foto: Expresso Catuense |
Por: Magnum Seixas
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| Escolas ficam mais vulneráveis durante o período da noite, afirmam professores. Foto: Expresso Catuense |
Na sexta (16), a equipe do Expresso
esteve em algumas escolas conversando com diretores sobre violência nas
unidades. A visita rendeu a reportagem “Violência nas Escolas preocupa educadores”, publicada nesta terça. Após a sua divulgação professores, que preferiram manter o anonimato, relataram ao Expresso que a
situação é ainda mais grave do que foi apresentada pela reportagem. De acordo
com os professores, o tráfico e uso de drogas é uma realidade obscura em algumas
unidades das escolas de Catu, especialmente, no período noturno. Ainda durante a apuração de depoimentos na sexta-feira pelo Expresso, ficou evidente o receio dos profissionais em falar sobre questões mais delicadas. Uma das diretora chegou a afirmar que os alunos tem mais acesso a internet do que eles mesmos e tomariam conhecimento da reportagem com facilidade.
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| Escola Jorge Luis tem alta incidência de criminalidade, alega professora. |
Uma denúncia realizada há cerca de 2
meses, assim como diversos relatos de profissionais da educação, motivou a
reportagem pelo Expresso Catuense. Em uma das denúncias, uma professora sugeriu
a reportagem e pediu o anonimato. Veja abaixo trecho da denúncia: “Sou
professora há muitos anos e, assim como muito colegas, também professores,
gostaríamos de ver uma matéria sobre a violência e a incidência de drogas nas
escolas públicas de Catu. Cabe uma investigação, entrevistas com professores e
alunos (conheço muitos que também se sentem ameaçados pelos colegas usuários),
principalmente no turno noturno. Já houve casos de diálogos e reuniões com a
atual secretária Ana Teixeira, em vão, até agora nenhuma decisão foi tomada. A
polícia faz-se presente em alguns casos, mas não pode entrar na escola, porém
poderia ser feita uma blitz com alunos que andam armados com punhais, estiletes
e bisturis. As escolas que oferecem mais riscos, atualmente, são: Jecelino
(Ramela), Jorge Luís (Planalto I), Raimundo Mata (Aruanha), Maria Gabriela
(Santa Rita). Professores sentem-se amedrontados, alguns já desistiram da
profissão. Há ameaças diretas a diretores por parte de traficantes”.
A professora que fez a denúncia ainda
pediu o sigilo da sua identidade, alegando que “Peço sigilo, porque tenho receio
de ameaças tanto por parte do poder público, como por parte de alunos
perigosos. Como eu disse, façam uma investigação. Espero que nesse exercício,
meus colegas de profissão não se calem”.
Ainda
nesta terça (20), logo após a publicação da matéria, outra professora entrou em
contato. Pedindo para manter-se no anonimato, a professora da escola Jorge
Luis, no bairro Planalto I, afirmou que, “Muitos
alunos não nos respeitam e provocam baterna na sala de aula. Alunos intimidam
professores. Não temos segurança alguma para dar aula,principalmente durante a noite. Às vezes tentamos até
conversar na linguagem deles para tentar nos aproximar. É uma relação difícil e
complicada, sobretudo, quando percebemos que alguns deles estão sobre efeito de
drogas ou tem algum tipo de envolvimento. Existem alunos que só vão a escola
para poder vender a droga. Porque fardados podem circular livremente pela escola,
sem ser importunados. Eles entram,
quando não estão com a droga, recebem de quem está fora e passam para outros
alunos. Já vi também por várias vezes os porteiros serem intimidados, quando
alunos tentam entrar de forma inadequada. Eles mesmos relatam a dificuldade que
é”.
O
medo entre os professores é geral diante da incapacidade e vulnerabilidade que
estão expostos. “Já presenciei cena de aluno
contando bolo de dinheiro, amassado, em uma das salas da secretária da escola.
E claramente, nós que estávamos no local, sabíamos que era fruto da venda de
droga, mas não podíamos comentar nada. Até porque a maior parte dos professores
sabia que aquele aluno vendia a droga na escola”, afirmou a professora.






