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Catuenses pagam até R$ 7,00 pelo quilo da farinha. Saiba o porquê

Um dos principais itens da alimentação dos baianos está sendo vendido por até R$ 7,00/Kg em Catu
Farinha de mandioca pode sair por até R$ 7,00 em supermercados de Catu. 
Por: Maiara Lopes

Primeiro foi o tomate e agora é a vez da farinha de mandioca. A baixa produtividade do produto fez com que este item da cesta básica tivesse um aumento maior do que a inflação, sendo comercializado por valores entre R$ 5,29 e R$ 6,98 nos supermercados locais. Já no Centro de Abastecimento é possível encontrar a farinha com preço mais em conta, entre R$4,00 e R$ 5,00.

Apesar de também sofrer aumento, a farinha no centro de abastecimento
está saindo mais barata do que nos supermercados.
Foto: Expresso Catuense
Para o feirante Antídio, também conhecido como “Paizinho”, o preço da mercadoria varia de acordo com a demanda. “Eu cheguei a comprar de R$ 320 o saco, agora já baixou mais. O maior preço do litro aqui foi R$ 5, mas, em tempos de produção normal a gente vende até de R$ 2. O valor sobe e desce, varia de acordo com a quantidade que tem aqui na feira”. 

"Tá um absurdo! Eu como porque eu sou baiano e gosto, mas, está caro demais. Eu não posso deixar de comprar por causa do preço, porque eu como farinha e tenho dois “guris” em casa que se não tiver farinha é problema, mas tem que baixar o valor", disse o mototaxista Anderson Pereira, de 31 anos. 

A  equipe do Expresso esteve nas ruas conversando sobre o assunto com consumidores e comerciantes, acompanhe vídeo abaixo:

A presidente da Associação dos feirantes, Marineusa Oliveira, acredita que se o produto fosse produzido na própria cidade, o preço seria menor. ”Ela está cara, mas, já esteve pior, pois com a chegada da farinha de outros mercados, o preço está baixando um pouco. Porém, é importante lembrar que o produto vem de Santo Antônio de Jesus, de Nazaré das Farinhas e também do interior. Eu acho que ele deveria vir só daqui, só que a Prefeitura precisa explorar mais essa questão”, ressaltou. 


Economista explica que aumento dos preços está relacionado a forte
queda na produção de mandioca, mas que preços
devem começar a baixar.
De acordo com o economista Magnum Seixas a queda da produção na Bahia é a responsável pelo aumento dos preços. “O aumento do preço da farinha está diretamente ligado a brusca queda na produção da mandioca provocada, especialmente aqui na Região Nordeste, pela seca prolongada que afetou boa parte das plantações, assim como houve redução da área plantada. É o que chamamos de choque de oferta. E foi justamente na Bahia, que tradicionalmente sempre se colocou como 2º maior produtor do país, que a produção este ano teve o maior recuo, com uma queda de 70% em relação a 2009, período em que a produção na Bahia começou a declinar”, afirmou o economista.


O preço deve continuar alto, mas com queda nos próximos meses, ressaltou o economista, “Existe uma tendência de queda nos próximos meses. O pico aconteceu em abril, quando o preço médio ao produtor na Bahia chegou a 230 reais a saca com 50 quilos. Mas este preço já recuou em 26,5% desde abril e o preço médio da saca estava na primeira semana de agosto por R$ 169. O preço deve continuar declinando à medida que a produção for se recuperando e a procura pelo produto for se adequando a oferta. Ainda assim, a projeção da CONAB é que somente dentro de 18 meses voltemos a registrar preços compatíveis com o período que antecedeu a escalada dos preços iniciada ainda no primeiro semestre de 2012, quando a saca esteve em média por R$ 50”.