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Entrevista: o forrozeiro Flávio José, que fará show dia 23 de junho em Catu, conversou com o Expresso

"Sempre tive respeito pelo meu público e pela Cultura Nordestina"

Flávio José representa a raiz da pura tradição musical nordestina. Carisma de poeta-cantador e talento de sanfoneiro-compositor na alma de um forrozeiro nato. Na sua pequena Monteiro/PB, já aos 7 anos, este precoce artista fazia a sua iniciação no universo mágico das teclas. Aos 10 anos já tocava o seu pequeno fole de 24 baixos, animando as festinhas do lugar. Essas pequenas incursões festivas, foram o início de um dos maiores ícones do Nordeste que já tem mais de 30 anos de carreira. Flávio José é um dos artistas mais autênticos da sua geração. Isso é fruto de sensibilidade, fidelidade, coerência e consistência artística representada pelo conjunto da sua obra. Confiram a entrevista do forrozeiro paraibano Flávio José ao Expresso:

EXPRESSO: Você considera Luiz Gonzaga como a sua grande influência no forró?
FLÁVIO JOSÉ: Luiz Gonzaga foi realmente a minha grande influência. Foi aos 5 anos de idade que assisti a um show de Luiz Gonzaga e ai que me apaixonei pela sanfona e pelo forró.

EXPRESSO: Como você vê o forró hoje em dia com a inclusão de instrumentos mais pops e um estilo mais sensual?
FLÁVIO JOSÉ: No forró que eu conheço desde criança, como o autêntico e verdadeiro forró cabe colocar guitarra, contra-baixo, flauta, cavaquinho, violão de 7 cordas e metais. Só não cabe fazer da nossa música porta voz de sensualidade, duplo sentido e palavrões.

EXPRESSO: Como avalia a qualidade da música nordestina atualmente?
FLÁVIO JOSÉ: A autêntica música Nordestina sempre teve qualidade, principalmente por contar com poetas maravilhosos, como Maciel Melo, Petrúcio Amorim, Flávio Leandro, Pinto do Acordeon, Anchieta Dali, Dorgival Dantas, Junior Vieira, Rogério Rangel, Carlos Vilela, Nanado Alves, Ilmar Cavalcante, Xico Bizerra, Antonio Barros e Cecéu, João Silva, Miguel Marcondes e Luiz Homero e tantos outros que continuam fazendo canções maravilhosas.

♫♪ Eu me criei matando a fome com tareco e mariola, fazendo versos dedilhados na viola, por entre os becos do meu velho Vassoural ♫♪

EXPRESSO: Acredita que o sertanejo tem utilizado de elementos do forró e vem tomando o espaço dos forrozeiros?
FLÁVIO JOSÉ: Eu não acho que a música sertaneja tenha se utilizado do forró para nada. Como também eu não acho que os Sertanejos estejam tomando espaço de ninguém. A mídia é que os colocaram onde estão, como também a música Nordestina (o Forró) está exatamente aonde a mídia colocou. 

EXPRESSO: Qual a música (ou músicas) que o público sempre pede em seu show e que não pode faltar?
FLÁVIO JOSÉ: Graças a DEUS, existem muitas músicas na minha história que as pessoas sempre querem ouvir nos shows. Vou citar algumas. Tareco e Mariola, Espumas ao Vento, A Casa da Saudade, A Natureza das Coisas, Me Diz Amor, Pra Você Voltar Pra Mim, De Mala e Cuia, Sem Ferrolho e Sem Tramela e Seu Olhar Não Mente.

♫♪ A casa que vovô morou, o meu pai herdou e passou pra mim. Mas para arranjar amor novo numa casa velha aí é tão ruim ♫♪

EXPRESSO: Mais de 30 anos de carreira e o artista Flávio José se mantém em alta. Ao que você atribui este enorme sucesso ao longo dos anos?
FLÁVIO JOSÉ: Para me manter bem até hoje, primeiramente eu devo a DEUS pela sua graça e misericórdia e também pela qualidade das músicas e letras que sempre gravei. Sem esquecer o respeito que sempre tive pelo meu público e pela Cultura Nordestina.

EXPRESSO: Quais as novidades que o público pode esperar no show do dia 23 de junho, em Catu-Ba?
FLÁVIO JOSÉ: Acredito que o repertório que preparamos para esse show, vai ser uma grande novidade, sem esquecer da nossa presença nessa cidade.

EXPRESSO: Deixe uma mensagem para os leitores do Expresso que irão prestigiar o seu show em Catu.
FLÁVIO JOSÉ: A mensagem que deixo é de carinho, muito amor, de agradecimento pelo carinho que a Bahia tem comigo e que todos procurem aproveitar as festividades de Junho, com muita tranquilidade, muita paz, fugindo principalmente daquela ideia tão prejudicial que é beber e sair por ai dirigindo. Que DEUS abençoe todos vocês.