Catu tem o 18º melhor IDH da Bahia. O que temos para comemorar?
Recentemente
a ONU divulgou o resultados do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) dos
municípios brasileiros com base em informações do ano de 2010. O Expresso
divulgou matéria (VEJA MATÉRIA) na qual mostra que o município de Catu se
posicionou como 18º melhor indicador entre 417 municípios baianos.
Obviamente,
logo tal posição que parece confortável diante de 417 municípios, foi alvo de
crítica por diversos catuenses na rede social. E com razão. A realidade fala
mais alto do que qualquer calculo matemático e representação estatística.
Qual
conclusão podemos chegar quando observamos que o município de Catu registrou o
18º melhor IDH da Bahia?
Tenho
duas.
Primeira.
Vivemos num estado pobre, atrasado, subdesenvolvido e estamos nivelados por baixo. Ainda
vivemos numa província, que tem o 6º pior IDH do Brasil, que por consequência é apenas o 85º maior IDH no mundo.. A questão não é que Catu esteja bem, mas que os demais
municípios estão muito mal.
Segunda.
O indicador (IDH), embora melhor que muitos outros, não é suficiente para
quantificar o nível de desenvolvimento humano de um determinado território,
quanto mais qualificar. Fica fácil dizer que o indicador é “bom” e
representativo quando se comprova o visível até mesmo para um míope, tipo o
IDH do Brasil e da Noruega. Mas o indicador não mostra, por exemplo, que dentro
de Salvador temos “Noruegas” e “Suíças”, mas também temos “Haitis” e “Afeganistões”.
O
IDH surgiu como forma de substituir os métodos amplamente quantitativos de
avaliar o desenvolvimento, alguns como PIB e Renda Per Capta. Os antigos
indicadores eram acusados de superestimar os aspectos econômicos, como a
produção de riqueza. Contudo, a realidade nos mostra que o IDH, mesmo
mensurando aspectos sociais (educação e longevidade) é um indicador que está
distante de ser qualificado como representativo.
Em
Catu, por exemplo, tínhamos cerca de 4 mil famílias, ou seja, mais de 25% a população
em situação de pobreza e extrema pobreza, segundo revelou o Censo 2010 do IBGE. Para efeito de comparação o número de famílias sem nenhuma renda é mais de seis vezes superior aos de famílias com maiores rendimentos (acima de R$ 2.550 por pessoa da família). Um quadro dramático, conforme revelou em novembro de 2011 matéria do Expresso, veja trecho abaixo:
A própria irrisória renda per capta de R$ 486,05 do município, levada em consideração no calculo do IDH, mostra como estamos nivelados por baixo.
As informações do CENSO 2010, realizado pelo IBGE, apontam que 15,6% da população catuense ou 2.368 famílias vivem em situação de extrema pobreza. A renda média per capita destas famílias é inferior a 70 reais por mês. O agravante é que neste grupo 1.338 famílias não tem renda alguma. Ainda, mais 1.704 famílias são consideradas pobres, sobrevivendo com renda mensal per capita entre 71 e 140 reais. Assim, são aproximadamente 27% da população catuense vivendo em situação de pobreza, somando as famílias que estão na faixa de extrema pobreza e as consideradas pobres. Do total das famílias consideradas pobres aproximadamente 25% concentra-se na zona rural.
A própria irrisória renda per capta de R$ 486,05 do município, levada em consideração no calculo do IDH, mostra como estamos nivelados por baixo.
O
histórico e questionado índice de educação tem sido um dos aspectos que mais
elevou o IDH de Catu. Mas uma vez estamos nivelando por baixo. Até porque
tivemos o pior indicador da região no IDEB 2011, por sinal um indicador que
mesmo com seus problemas tem sua representatividade.
Não
podemos falar em desenvolvimento humano sem ampliação do acesso aos serviços básicos
de forma eficiente e que não sejam os grandes vilões na cesta de consumo das
famílias.
E
por fim, mesmo que fosse um indicador representativo, os catuenses não tem o
que comemorar um IDH de 0,677, um nível médio, mais próximo do centro do que do topo, mesmo estando a frente de 399 municípios baianos. Catu, ao contrário dos
demais, sempre contou com condições para ser um diferencial e modelo no estado.




