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A troco de quê?

Corte no orçamento do Senado Brasileiro?  Notícia boa de se ouvir numa sexta-feira, lá pelo finalzinho da tarde, hora boa para relaxar no fim de semana. O burburinho foi geral: na mídia, nas redes sociais, com os comentaristas de plantão, todos de posse da notícia alvissareira.

Mas, como depois de todo domingo vem uma segunda, o presságio vem logo para assombrar: a troco de quê os presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), nos deram este “presente”, o corte no benefício anual de salários extras para os parlamentares, excluindo assim, os 14° e 15° salários destes?

Algumas variantes chamam atenção: de fato, a folha de pagamento dos parlamentares brasileiros é a 2° maior do mundo, a frente apenas do Canadá. Apesar de não ser uma novidade, o corte foi um ato digno de aplausos pela sociedade em geral.

Entretanto, a medida faz parte de um conjunto de ações que foca na campanha eleitoral de 2014: partidos já pré-anunciando candidaturas, coligações partidárias confirmadas ou prontas para romper. Olhando mais de perto, olhando mais para longe, o que se vê é uma ampla movimentação política visando cargos altos e manutenção de poder. Tira-se daqui, faz-se uma gracinha ali, para ganhar um crédito mais adiante. É, 2014 já começou no cenário político brasileiro, num processo organizado de coligação de forças políticas, e de definição de estratégias. O corte é uma delas.

E eu, então fico cismando... as coligações são tão fáceis de consolidar. Na manutenção do poder, é gerado um contexto de simpatias e parcerias com objetivo comum. É assim que sorrisos amistosos e tapinhas nos ombros demonstram o que o sociólogo polonês Sigmund Bauman chama de relações fluidas- relações sem vínculos. No cenário político, são relações com objetivos a curto prazo.

Na cidade nossa também não deve ser diferente. As coligações políticas são uma via de fortalecimento dos partidos/pessoas para alcançar objetivos comuns. Por isso, as surpresas agradáveis ainda estão por vir. Quando chegarem, vamos festejar sim, mas com aquela pulguinha atrás da orelha, perguntando: A troco de quê?

É, porque tanto na cidade pequena, quanto na capital brasileira, o “troco” é parece bem rentável.