Curtir esta matéria

Na dúvida: que Deus nos proteja!

Os catuenses hoje deram mais um grito, desta vez contra a injustiça e o abuso de poder que toma conta da nossa cidade. Talvez as ações desastrosas da polícia não seja um problema apenas nosso. Sem entrar na análise da ação policial do último fim de semana (não estou aqui apontando culpados nem inocentes) que acabou na morte de um jovem de forma questionável e que põe em dúvida a abordagem da nossa polícia militar, compartilho com todos a minha indignação com a falta de preparo dos nossos agentes de segurança.

Divagando pelo geral, mas trazendo tudo também para o local, não sinto segurança nem confiança em servidores do Estado que são pagos para nos defender. Salvo algumas exceções, que raramente as encontro em minha frente. O que vemos são homens fardados, portando uma arma de fogo que lhes conferem o poder absoluto e a superioridade pelo amedrontamento nos demais. São pessoas que você não pode questionar, não pode alegar seus direitos e que invertem completamente um dos maiores direitos constitucionais, pois para esta milícia armada: todo mundo é culpado até que se prove o contrário.

O que aconteceu em Catu neste fim de semana não foi nenhum fato novo. Não é incomum vermos em jornais, na TV ou no boca a boca histórias sobre ações policiais que culminaram em mortes de inocentes, de forma muito duvidosa. Porém, o povo catuense já está cansado e começou a se mobilizar. São anos de abandono da nossa cidade, anos de violência crescente, de assassinatos sem respostas, de roubos e furtos de veículos, são anos de descaso com a cidade e os seus moradores.

Também não se pode esperar muito de um país que vive uma democracia tão recente, cheia de contradições e de falso moralismo. A polícia que hoje nos defende ainda não se libertou das suas memórias do passado e exerce suas funções com arrogância, prepotência e despreparo. Claro que não é toda a tropa, porém difícil é separar o bem do mal neste caso.

É preciso entender que a polícia existe para dar segurança a população e não para limpar, o que eles julgam criminosos, da face da Terra. Porém, no Brasil a polícia parece ser treinada apenas para a truculência. Não existe uma abordagem humanizada e nem o direito do cidadão se defender durante a mesma. O que vemos é um total descontrole do poder público com a violência crescente. Os governantes preferem investir em milícias armadas do que em um combate efetivo das causas dos problemas.

Que o protesto por justiça que tomou conta de Catu e despertou em cada cidadão de bem uma revolta, por menor que seja, sirva para refletirmos no nosso papel de cidadão, de fiscalizadores das ações de qualquer pessoa do serviço público e que não tenhamos medo de questionar seja quem for. Claro que muitos criam um muro e se tornam inquestionáveis, principalmente aqueles que dizem fazer a justiça. Mas nossas vozes ninguém calam, mesmo que com o retorno disfarçado e descarado da censura.

Já que nem chorar, implorar para ver os filhos ou suplicar para não ser covardemente "abatido" adianta, digo a todos: Na dúvida, que Deus nos proteja! (E me proteja ainda mais depois dessa).