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Retroceder seria dar-nos a sentença de sadomasoquistas

Ganhar prefeituras com partidos de direita ou os ‘sem identidade’ faz parte do projeto maior de retornar ao poder pela elite direitista brasileira. Eles querem se fortalecer para 2014 ganhando sua prefeitura em 2012.

PT fez alianças para governar, mas o projeto de governo é próprio. 

O discurso utilizado por eles (direitistas) é que todos são iguais, mas não é bem assim. A diferença está nas prioridades do governo. Vejamos.

Atualmente os trabalhadores no Brasil lutam, com todo direito, por melhores condições salarias. Antes lutavam para ter simplesmente um emprego. Hoje os jovens nas universidades públicas lutam por melhores estruturas de ensino, antes lutavam para ter uma vaga e contra as tentativas de privatizações. Os brasileiros se apertam para comprar casa própria, que hoje é possível. Antes passavam fome para poder pagar o aluguel ou então se apertavam nas casas dos pais e avós. Hoje os jovens podem está lendo estas palavras no seu computador com acesso a internet. Antes achavam que isso era coisa para americano ver ou apenas da elite brasileira que os humilhavam nas novelas das oito da rede globo.

Nada acontece por acaso e obviamente que todas as suas recentes conquistas também têm o seu mérito pessoal. Mas suas conquistas só se tornaram realidade porque houveram oportunidades. Emprego, faculdade, casa, carro, computador são conquistas possíveis hoje pelas transformações que ocorreram. Vejam só o que mostra o gráfico abaixo sobre a taxa de desemprego no Brasil nos governos de direita (FHC) e de esquerda (Lula  e Dilma):

O que me preocupa mesmo é ver como uma parte de pessoas bem informadas, que ascenderam socialmente com esforços, hoje quem sabem alguns compõe a ainda reduzida elite intelectual brasileira, estarem com posturas e opiniões que no fundo convergem com a direita brasileira. 

Não podemos ser tolos e acreditar que o mundo socialista virá mais sobre a bandeira do PT. Nem o próprio partido acredita nesta possibilidade. Contudo a transição para uma sociedade igualitária necessariamente perpassa pelas rupturas que o governo de esquerda petista proporcionou. Só que ainda estamos na transição. Apesar de demorada, as transformações estão mais aceleradas do que se previa. O desafio é grande porque os traumas deixados são maiores ainda, e não é com o retorno da direita que caminharemos rumo a uma sociedade avançada. Pelo contrário retrocederíamos.

Se você tem pouca idade e não sabe o que foi o Brasil antes do projeto atual, conversa com seus pais e pergunta sobre as dificuldades que passávamos. Alguns dizem que o brasileiro tem memória curta e disso eles sabem se aproveitar muito bem. Quem comete crime e foi corrupto deve ser punido. Mas se pune a corrupção e não o projeto que vêm dando certo em muitos aspectos. Não se pede para ser conivente com absurdos. Não se pede para colocar vendas nos olhos para as atrocidades cometidas por quem quer que seja. O que se pede é que não se fortaleça aquele que vai contra seus interesses, enquanto classe.

Combater a corrupção, a podridão, os maus exemplos é necessário, mas retroceder seria dar-nos a sentença de sadomasoquistas.

Na próxima coluna retorno com uma discussão acerca do golpe de estado que se desenha no Brasil, enquanto isso deixo como sugestão de leitura diária os excelentes textos produzidos por Paulo Henrique Amorim, no blog Conversa Afiada: www.conversaafiada.com.br

Por: Magnum Seixas