Buzinar ou Sorrir
Pessoal, parece que o povo catuense anda muito confuso com essa história de buzinar ou sorrir. Mais um desafio a superar. Estão se esforçando para andar sérios na hora de buzinar, e muitos coçam os dedos para não buzinar e mostrar um sorriso colgate.
Isso tem exigido muitas habilidades psicomotoras, é verdade, pois nossa cultura é de buzinar e sorrir, gritar ô peixe ou diga aí, malandro, essas coisas, quase como se uma ação disparasse a outra, cês sabem, coisa de baiano. É difícil retirar um sorriso do rosto, e ser sério, arrisca o sujeito passar por metido pelos vizinhos. O pessoal vai logo dizendo: “Cê viu, fulano, depois dessa política, o vizinho nem sorri mais, veja, anda todo empinado que nem galo na rinha, todo armado.” Ou então, se for buzinar, olha o comentário: “ ô marido, fulaninho mudou de carro, foi? Por que ele só anda buzinando numa pose só, tá de carro do ano é, eu hein?”
Vejam, amigos, a triste sorte de quem se mete com política. Fica limitado a essa tirania, se sorrir ou buzinar vai se contradizer, e fica condicionado a uma análise psicológica, a consciência fica remoendo, “santo Deus, por que eu fiz isso, não é do meu candidato?” Pois é, anos de terapia.
Daqui até as eleições, muito buzinaço e sorrisos honestos, de gente que acredita que pode contribuir na candidatura do eleito. Eu, de parte, acho de muito valor contribuir assim, é um esforço que se faz em prol da nossa cidade. Só fico pensando na angústia que deve ser o cara querer buzinar e não poder, pois não dispõe de carro. Pior é sorrir sem poder... Ô tristeza.
De mais a mais, fica decretada a proibição de buzinar e/ou sorrir para aqueles que são apartidários e não querem se meter na política. Ficam irritados, confusos, estressados mesmo, entram no balaio sem querer, não podem nem cumprimentar e nem sorrir.
Fora a confusão que dá no comércio da cidade, uma panacéia desvairada, de sons e panfletos. E as músicas, então? Ah, para as músicas dá um outro artigo, camaradas.
Eu, então fico confusa com essa história toda, mas não quero criar polêmicas. Só revelo o que está por aí, a meia boca do povo. E tenho dito.
Por: Tatiane Brito
Fonte: Jornal Expresso Catuense




