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Catu na rota do conhecimento. Expansão do IFBaiano traz novas perspectivas

Já está mais do que comprovado de que a principal distinção entre regiões atrasadas e avançadas (ou ricas e pobres) dá-se pelo domínio do conhecimento. O conhecimento é algo abstrato, mas sua materialização define os rumos das sociedades. Por anos o município de Catu abrigou a Escola Técnica Federal, conhecida como ‘Agrícola’, e que foi alvo de inúmeras criticas pela sua pouca influência na dinâmica local, apesar do elevado potencial de contribuição que agregava. E de fato existiam pertinências nas críticas se avaliarmos a real atuação da antiga escola. Contudo há de se perceber os motivos que levaram a reduzida participação pela antiga escola agrícola, percepção esta que contribui para o entendimento da importância que representará a metamorfose expandida da escola, agora também instituto de ciência e tecnologia. Contribuía para a pouca eficácia da Escola na cidade, primordialmente, a característica socioeconômica do município e também da região, ancorada em uma atividade industrial, basicamente. Além da atividade econômica foco da antiga Escola ter papel reduzido socialmente no município, à atividade predominante (exploração de petróleo e gás), além de ofuscá-la, continuou ao longo dos anos avançando sobre os sistemas agrícolas, seja através da própria produção, seja através dos seus subprodutos – a falar o crescimento populacional em direção a fronteiras tipicamente agrícolas, um verdadeiro processo de urbanização de áreas rurais. Acrescenta-se a este fato a ausência de políticas públicas que estimulassem a produção agrícola, o acesso a serviços públicos pelas famílias rurais, enfim, mecanismos que construíssem um cenário favorável a permanência no campo, com condições de vida digna e com a existência de sistemas de produções eficientes. O que tem-se observado são famílias em zonas rurais com características urbanas, na sua plena maioria em situação de extrema vulnerabilidade social, sobrevivendo de aposentadorias e de programas sociais e pouca subsistência retirada do trabalho possibilitado pela terra.

A antiga escola que abrigava ensino médio e técnico, especificamente do setor agrícola, se transformou em instituto ampliando as possibilidades de produção de mão-de-obra qualificada, se aproximando das demandas locais, mas, principalmente, criou a perspectiva da produção de conhecimento. Não quero dizer que antes não se produzia conhecimento, mas existe uma diferença significativa nos tipos de conhecimentos produzidos.  A principal diferença não esta somente posta por conta da inclusão de cursos de nível superior no Instituto, mas pelo modelo educacional proposto. O que distingui os homens dos demais animais, além do polegar opositor, é o telencéfalo desenvolvido. Esta distinção nos possibilitou evoluir de maneira extraordinária ao longo de milhares de anos. Boa parte deste processo evolutivo, em verdade quase que em sua maioria, foi propiciado pela nossa habilidade física estimulada pela nossa percepção diferenciada. Contudo, o período atual e mais curto deste processo evolutivo, tem sido marcado menos pelas habilidades físicas e mais pela capacidade de pensar, o conhecimento, tido como abstrato, é o motor propulsor da sociedade contemporânea. Regiões atrasadas são atraídas a intensificarem os esforços pelos meios mecânicos e exacerbadamente técnicos como forma de atender necessidades imediatas. Já as regiões avançadas priorizam a produção do conhecimento. Em termos práticos podemos observar pela divisão internacional do trabalho, onde, por exemplo, na produção de tênis da Nike, o designe e o trabalho de desenvolvimento da marca fica restrito nos Estados Unidos, enquanto a confecção, ou seja, a materialização do produto ocorre nos países atrasados do leste asiático. Contudo, é lá nos Estados Unidos que o processo produtivo agrega mais valor.

Nós, brasileiros, estamos no meio termo, necessitamos ainda ampliar a técnica, mas esboçando reações em direção a sociedade do conhecimento. Este fato fica evidente pela proposta educacional dos últimos anos implementada pelos governos Lula e agora Dilma. Neste contexto se inserem as escolas federais que agregam o ensino técnico e o superior, como é o caso do IFBaiano em Catu. O objetivo é atender uma demanda imediata por vias do ensino técnico diante do déficit de mão de obra qualificada a produção e do outro lado, por meio da educação superior, estimular a produção de pesquisa e desenvolvimento, além de preencher uma lacuna formada por mão de obra altamente especializada.

Conversando rapidamente com o professor do IFBaiano Marcelo Oliveira, um dos mais importantes pesquisadores sobre a História catuense, entusiasmado, informava-me do projeto de expansão do IFBaiano e das perspectivas que emergem desta expansão. De fato, pude perceber ao observar alguns dos produtos do IFBaiano nos últimos anos, que existe uma nova mentalidade educacional e profissional e que converge com o modelo de desenvolvimento socioeconômico há muito perseguido pelo país. Vermos jovens ainda no ensino médio já iniciando a pesquisa é coisa muito nova e que pode gerar estimulo para a ampliação da produção de pesquisadores na região. Não é algo simples, pois é complicado haver estimulo enquanto persistir a pouca valorização social dos pesquisadores e profissionais acadêmicos. Especialmente em Catu. Imagina pra um jovem ver um cenário onde um trabalhador com um curso técnico ou mesmo somente com o ensino médio ganhando em média R$ 5 mil numa sonda de petróleo, enquanto o especialista acadêmico ganhando talvez um quarto disso.  Está colocação surge mais como uma provocação a sociedade do que ao cenário. Isto porque, as perspectivas são realmente interessantes.

Outro aspecto que em breve surgirá como produto desta nova face do escola federal será a mentalidade sócio-política da população local. Geralmente onde as instituições de nível superior de qualidade são instaladas ocorre, com o passar dos anos, o amadurecimento social daquela comunidade, em função da efervescência do conhecimento representado por grupos sociais que são mais atuantes, como representações do movimento estudantil.  As questões locais passam a ser alvo de discussões nas exposições, nas revistas, nas salas de aula, passam a ser alvo de um ambiente “intelectualizado”. E este público que participa do circulo acadêmico dialoga com o restante da comunidade, que passa a ter novas referências e outras perspectivas.

Por: Magnum Seixas