A busca pelo poder e a ampliação do fosso de miséria e desigualdade em Catu
Quando ainda no segundo semestre do ano passado, o Expresso Catuense divulgou os resultados do Censo 2010 que mostravam que quase 4 mil famílias catuenses, ou seja, 1 a cada 3 famílias da cidade se enquadravam em situação de pobreza ou extrema pobreza, causou perplexidade em alguns. Para outros o resultado era esperado e na verdade acreditavam que a pobreza era ainda maior, baseando-se no que observam no cotidiano do município e nos bairros marginalizados que concentram a maior parte da população. E de fato, existem razões para acreditarem que a situação é mais dramática do que os resultados que o Censo quantificou. Basta observar que no mesmo ano do Censo, isto é 2010, mais de 8.150 famílias (55% da população) estavam no Cadastro Único (Cadúnico) do Governo Federal, utilizado para os programas de assistência social. E que destas famílias no Cadúnico, mais de 5.100 estavam participando do programa Bolsa Família.
Da mesma forma, como se costuma dizer, que não se precisa de CPI para provar as corrupções nas nossas províncias tupiniquins, que só basta chover, vale para se qualificar o nível de miséria e seus subprodutos. A marginalização de segmentos sociais, alinhada e fruto de uma sociedade de consumo e ostentação, gera o que o município de Catu tem se defrontado de maneira espantosa e desoladora: a violência. Em 2009, Catu registrou 9 assassinatos segundo a Secretária de Segurança Pública. Em 2010 passou para 21 e ainda em agosto de 2011 já eram 24 homicídios, segundos informações disponibilizadas em um evento sobre segurança no município. Espantaria se apresentasse aqui o crescimento das demais modalidades de violência, a apreensão de usuários de drogas, etc. Infelizmente quando esta situação não é tratada com generalismo é tratada com fanatismo. Não se concebe ou não querem compreender, o que hoje é uma unanimidade entre especialistas, que as ‘barbáries’ do mundo moderno são frutos da estrutura social, que também é de poder, e que se criou e permanece sob a tutela do Estado.
Enquanto uma das soluções para mitigar o avanço degenerativo da sociedade é propiciar condições mais dignas de sobrevivência, o que implica numa sociedade mais justa e com melhor distribuição dos recursos (equivocadamente numa sociedade capitalista recursos passa ser sinônimo de dinheiro, também amenizado com o termo renda), Catu tem ido na contramão. O assistencialismo baseado no clientelismo, patriarcalismo e patrimonialismo avançam mais do que as políticas de inclusão social. Os motivos são objetivos e evidentes – manutenção do poder por via eleitoral. Faço saber e entendo que as políticas assistencialistas são fundamentais para aliviar pontualmente e momentaneamente um déficit histórico, mas que deve figurar como coadjuvante num processo de desenvolvimento socioeconômico.
Quando, ao lado de uma equipe excepcional, o presidente Lula colocou como centro da sua gestão o combate a fome, e agora Dilma o fim da pobreza, as políticas de inclusão e inserção social, representadas pela geração de empregos e rendas, estavam e estão como carro chefe. Isto é, combate um problema presente para não tê-lo mais no futuro, onde lá(no futuro) será possível canalizar os escassos recursos em outros problemas, numa sociedade mais desenvolvida. E não há dúvidas que mesmo que em parte, se obteve êxito. O objetivo do poder e até mesmo eleitoral também permeava as práticas implantadas, mas florido de um grupo, que mesmo metamorfoseado, continha a ideologia, a vivência proletária com formação política.
Em Catu a prática é diferente. Tem-se no quadro de poder a vivência proletária em muitos, se não a maioria (o que gera maior indignação), mas não há a ideologia e muito menos formação política. Optaram pela cestas-básicas (se é que se pode chamar de básica uma cesta com 5 itens entregues as vezes a cada 3 meses), pelo pacote de cimento e dúzias de tijolos, pelos cabides de emprego pendurados na máquina pública, entre outras práticas corriqueiras e sorrateiras, que por mais que neguem, a população tem conhecimento. Mas as políticas para estímulo do emprego, dos micronegócios, para a profissionalização e qualificação por onde andaram? Em um grupo que considera como política social, e não uma obrigação, pagar em dia os funcionários não é difícil entender o cenário nefasto vivenciado pela comunidade. Talvez por encarar como política social o pagamento em dia, se gaste tanto e mal com o funcionalismo, sobretudo com terceirizados e cargos de confiança, talvez o suficiente para se aplicar em investimentos duradouros, multiplicadores e geradores de emprego.
Como diria um sábio amigo, o Michel, “O menino da Santa Rita também quer ter um Mizuno Wave”. Não só o da Santa Rita, mas o da Ramela, o dos Altos e o das Baixadas, que é negro, mas não tem Ouro e nem Paz.
Por: Magnum Seixas
Coluna publicada em 17/12/2012
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