Catu: marionetes no poder
Estava um pouco frio demais. O vento soprava gélido e desorientado. As pessoas andavam sem saber para onde seguir esbarrando em placas com orientações confusas que endeusavam um busto feminino. O busto era realmente belo nos moldes europeus: tez “ariana”, cabelos louros cor de ouro. Mas não passava daquilo, pois tudo mais era mentira; mentiras construídas da forma mais enfadonha possível. Todas as ruas tinham nomes de figuras que já tinham passado por aquela ínfima cidade de onduladas curvas. Eram uns nove nomes a ser lembrados, todos sem muita representação. Talvez fossem na verdade parasitas, sanguessugas do poder. Mas estavam lá, por culpa da maioria.
Certa feita, dei de cara com a figura do outdoor. Empalideci! Não de medo, mas com a beleza da criatura. De fato, era uma beleza vívida ao vivo. Não à toa que o fundacional deixou se levar. Me contive, respirei e atravessei o curto caminho sem olhar para o lado. Depois de transcorrido o caminho, aquela frieza de sempre abateu o ambiente como se um presságio predissesse o que viria. Tudo isso, foi a mais ou menos à 8 anos atrás. Mas, agora já é sabido: aquele busto da placa-outdoor é só uma marionete de duas grandes cobras.
Por: Rafael Rosa
Imprimir




