Educação enquanto fator de liberdade
A ignorância em sentido restrito tem a conotação de brutalidade, rusticidade e afins. Contudo, um entendimento mais simples e direto nos encaminha a entender ignorância com o sentido de ignorar algo. Por muito tempo se discutiu o papel da educação na formação de cidadãos descentes e socialmente incluídos. Entretanto, o modelo educacional vigente em grande medida prova que há um equívoco processual no que tange a aprendizagem. Quero dizer que o modelo educacional como se dá atualmente “prepara” os estudantes para serem bons trabalhadores. Repetidores de comandos os quais se materializam initelingíveis, a princípio. Ignorantes? Não necessariamente, pois o processo de formação e inclusão no mercado de trabalho é deveras importante. O que acontece, salvo em algumas poucas escolas, é que a sobreposição massificada dos conteúdos sem as devidas reflexões incutem nos alunos e futuros agentes do mercado de trabalho cordas de controles e subordinação direta as relações de trabalho sem a mínima crítica ao mesmo. Não digo que os futuros trabalhadores tenham que enfrentar sempre e diretamente seus patrões. Quero dizer que refletir sobre o processo de inclusão no mercado de trabalho assumindo uma perspectiva crítica no amplo sentido é de suma importância para a vida social sem que se ignore as relações políticas e de poder. As instituições educacionais, penso, tem como função não só fazer com que os discentes falem o português formal, resolvam equações e teoremas, saibam as datas históricas “importantes”, e onde fica o rio Nilo. Isso, ao meu ver, pouca importância tem se não estiver vinculado ao conhecimento crítico das relações políticas, econômicas, sociais e culturais do meio onde transitam/transitamos. É só olhar atentamente nossas relações sociais, aqui mesmo em Catu. Enquanto não soubermos o poder que as ideias têm, mentes continuarão a ser violentadas massificadamente para atender o interesse de alguns poucos. Não ignoremos, pois não somes ignorantes, o abandono de nossa cidade...
Por: Rafael Rosa
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