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Pedágios e questões gerais são alvos de discursos oportunistas em Catu

Recentemente alguns pedágios foram implantados nas rodovias baianas, sobretudo na região metropolitana de Salvador. Repercutiu de imediato na população dos municípios que são impactados pelas tarifas, sobretudo do ponto de vista popular negativamente. Como “bons” políticos, os locais, não perderam a oportunidade para se aproximarem em mais uma causa da população, ao mesmo passo que utilizam a política privatística para estratégias políticas. Um dos principais questionamentos sobre a real necessidade das privatizações decorrem do fato dos estados obterem uma arrecadação significativa com tributos sobre veículos. Contudo se esquecem de ressaltar que os municípios recebem metade de todo o IPVA (principal tributo sobre veículos), e, por exemplo, somente em 2010 o município de Catu recebeu quase R$ 1,2 milhões em IPVA. E o que vemos sendo feito no setor de trafego do município, as estradas, etc? Mais adiante voltamos a esta questão e com números mais precisos.

Acham que possuem “Olhos de gavião e dentes de lobo” – tolos, são apenas cordeiros. Eram apenas telespectadores, cansaram de ser coadjuvantes e querem estrelar como atores principais – o circo esta em alta temporada – de vermelho agora só querem o nariz. A “onda” agora é sair das discussões internas e partirem para discussões globais, tais como: Pedágios, Plano Real, Inflação, coisas destes “naipes” em que demonstram claramente não ter a mínima capacidade para debaterem. O que de certa forma tem sido uma estratégia decorrente, em vista que os mesmos não foram e não estão sendo capazes se quer de debater as problemáticas do município. Colocar nomes em escolas e ruas é coisa simples, mas resolver as questões estruturais passa distante destas mentes “pensantes”. 

Por hora voltemos aos pedágios e as políticas privatísticas. Não há duvidas do quanto pesa sobre a população quando um serviço público passa a iniciativa privada. Primeiro vem o beneficio por recuperar algo que esteve praticamente abandonado, mas que tem um custo e que será repassado, juntamente com as margens de lucro pré-estabelecidas e necessária a empresa (estamos num mundo capitalista!!), aos consumidores. Particularmente tenho visto com certo exagero o numero de pedágios colocados na BA-093, da mesma forma o preço esta elevado quando comparado aos benefícios realizados(deram uma melhora significativa na pista, mas nada de espetacular). Contudo o debate sobre a privatização das estradas baianas há muito vinha ocorrendo e não percebíamos este alarde, afinal estes mesmo que hoje gritam e xingam o atual grupo político estadual, estavam de braços dados, pousando em fotos, aproveitando a “onda vermelha” e tinham outras preocupações.

O mais interessante de se observar é que o discurso proliferado por alguns políticos catuenses é o mesmo esquematizado pela atual oposição no Brasil (DEM-PSDB), que por sinal foram os que introduziram as políticas liberalizantes da economia brasileira, onde se incluem as privatizações. Abusando da inteligência da população estes mesmos grupos, ao mesmo tempo em que buscam desqualificar as privatizações atuais, começam a enaltecer o plano real como contraponto a atual política monetária do governo (dita como desleixo a “inflação”). Contudo se esquecem de mostrar que as privatizações estavam no seio do Plano Real (segundo estes naquele momento as privatizações eram necessárias - como a Vale do Rio Doce, a tentativa da Petrobras, os bancos estatais, as empresas de energia, de telecomunicações, etc³ -  Hoje não são mais). Para esclarecer ao leitor, o Plano Real não se tratou apenas de inserir mais uma moeda no mercado, substituindo uma sem credibilidade por uma nova com aceitação. O Plano Real trata-se (isso porque ainda esta na ativa) de um conjunto de políticas econômicas (monetária, fiscal e cambial – o tripé macroeconômico) onde busca-se aplicação do neoliberalismo no Brasil, isto é, a abertura da economia brasileira ao exterior, com um mercado pouco regulado pelo estado(atuando apenas naquilo que é relevante aos interesses das grandes corporações). As privatizações estavam no âmago da política fiscal do Plano Real, uma vez que aqueles grupos viam as empresas publicas como grandes responsáveis pelos déficits do governo, assim como achavam necessárias – pela imposição do FMI – como meio de conseguir recursos para pagamento das dividas do estado, da mesma forma que a cartilha do Fundo assinalava que o maior peso na inflação eram os gastos públicos, desta forma queimando-se as empresas públicas (diziam ineficientes) e diminuiriam a participação do estado sobre a inflação.

Estou superficializando sobre estas questões, pois tem sido bastante proliferadas nos discursos oportunistas e infundados, inclusive em Catu. Pra finalizar e adentrarmos de volta a cena local, em poucas linhas descreverei o que tanto estão a vomitar sobre a inflação atual. Dizia o economista monetarista americano Milton Friendman “Em economia não existe almoço grátis, mas cedo ou mais tarde alguém tem que pagar”, estou dizendo isto para mostrar o seguinte: a inflação atual encarada pelo governo de Dilma é conseqüência dos desajustes nas contas do país nos últimos anos. E o desajuste foi necessário para as mudanças sociais e econômicas que ocorreram, afinal tínhamos mais de 20 anos sem crescer, dávamos apenas saltos de galinha. Ocorrem atualmente, variações maiores na taxa de inflação, mas com controle, não existe dramaticidade nos indicadores, o que existe é oportunismo político em cima dos indicadores. A inflação é motivada pelo consumo – das classes médias e pobres particularmente – coisa esta (consumo) que estes grupos não tinham acesso. Mas voltemos a nossa discussão.

As privatizações e os pedágios estão ai, e não é coisa nova e nem será extinta de uma hora pra outra. Cabe é lutar e negociar por acessos mais justos pela população. O que estão fazendo é amadorismo, não que a causa não seja justa. E continuarão os amadores – se achando no caminho do crescimento político (pura ilusão) – subservientes a pequenas coisas, continuando pequenos como reflexos do naniquismo dos seus discursos. Conhecida pela forma de fazer política ( ao meu ver inescrupulosa e que não deve ser seguida, mas esperta nos propósitos dela) e com visão política a deputada Maria Luiza Láudano demonstra aos nanicos catuenses porque tem décadas na política e influenciando. Sábia em suas intransigências sabe que não pode romper os laços com o governo e mais que isso sabe que de nada adiantaria, afinal o que foi implantado é um fato e com muita dificuldade será reversível. Mas também sabe que não pode deixar de defender o interesse de sua área de influência. Então critica fortemente, propondo alternativas que busque minimizar os impactos para a população a qual ela tem interesse que seja atendida. Não estamos mais a falar de cordeiros, mais de quem tem “olhos de gavião e dentes de lobo”. Um primeiro aspecto é que discutir questões mais geral, sobretudo, estadual lhe cai como atividade necessária e tem espaço para isso. Os cordeiros não têm o espaço e deveriam se atentar para questões de suas competências.  

Para os cordeiros (não por bondade, inocência ou coisa do tipo, mais por fragilidade) resta se atentar a realinhar o discurso para não se sufocarem com a própria saliva. Primeiro porque ano que vem chega às eleições e poderão ficar amarelos de apatia e deixarão de estar vermelhos de alegria. Segundo que o próprio discurso é traiçoeiro, pois como poderão falar de pedágios se o mesmo município, com inúmeros problemas recebeu entre 2005 e 2010  quase R$ 4,74 milhões em IPVA e sobre isso nada falaram? Se questionados sobre privatização (que pode ou não vim acontecer) de uma importante autarquia catuense puxada pela atual gestão como eles reagirão, se os mesmos declaram total participação na atual situação municipal? Ou mais, privatizar e terceirizar são frutos de um mesmo objetivo, como explicariam que a situação ao qual apóiam se utilize tanto deste meio, não seria um contra-senso? 

Por: Magnum Seixas

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