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Patrimônios históricos abandonados


Um prédio, um monumento por si só não é suficiente para ser designado histórico. Não necessariamente é um carimbo governamental que irá ditar o que é histórico ou não. O que indica ser históricos, são os acontecimentos relevantes, as memórias por detrás do material ou mesmo aquilo que era uma rotina diária, mas que contribuíam para a formação de uma comunidade. Dois prédios que representam a memória catuense, tem-se atualmente sua história esfacelada:  O Colégio Inocêncio Goés e a Estação Ferroviária de Catu.
Antiga casa de Barão e desde 1927 abrigando o Colégio Inocêncio Goés, o prédio guarda a memória de gerações que obtiveram aprendizado educacional e de vida. Hoje ao invés de preservação, encontra-se no local abandono. Procura-se entender até o motivo que o prédio não possa ser utilizado para a prática educacional, mas o seu completo abandono é algo incompreensível. Perecer pelo tempo também é compreensível, mas a depredação pública é lastimável. A depredação não é somente realizada pelos que agem de maneira transgressora no que é propagado como ilícito, o vandalismo e roubo. A depredação também é realizada pelos que são coniventes, sobretudo pelo abandono, e o poder público local neste sentido é um depredador de um patrimônio que ele deveria preservar, a história. Afinal, o que é um povo sem memória?
Não menos angustiante é a situação da Estação Ferroviária, construída em 1943, num movimento de expansão das estradas de ferro no país pelo Estado Novo. Durante décadas transportou o desenvolvimento, mostrou-se útil ao deslocamento de pessoas, ao comércio local. Portas de concreto por questão de segurança públicas, teto a ruínas e pichação. Não transporta mais nada, nem memória, irreconhecível. Aliás, uma grande obra foi feita, porque o passado metamorfoseou-se no presente. Aquele prédio nos remete a atualidade: o descaso
Por Magnum Seixas