Igreja Matriz: Conservação ou dano histórico-cultural?

Construída em 1871, a igreja Nossa Senhora Santana é um patrimônio histórico e cultural do município de Catu. Atualmente tem passado por uma “reforma” e a forma de como vem se processando já gera debate na cidade. A questão é que está havendo uma desconfiguração do padrão tradicional que entre outros motivos configura o caráter histórico do patrimônio. Sua tradicional fachada Branca com portas verdes foi substituída por uma espécie de “Salmão com bege” – como citou indignado um cidadão catuense em um site de relacionamento.
De fato está mudança talvez seja a mais evidente e escandalosa que a Igreja Matriz sofreu, num processo que já percorre anos das chamadas “reformas”. Recentemente, numa reforma anterior, os históricos azulejos portugueses foram substituídos por outro moderno. Estes fatos deixa evidente o descaso pelos patrimônios históricos do município. Basta observar o estado que se encontra as Estações Ferroviárias.
Quando se trata de patrimônio histórico os processos de mudanças ou mesmo simples alterações, que normalmente não são permitidas, devem respeitar um repertório institucional, claramente definido em lei, justamente objetivando a preservação da cultura de uma determinada comunidade. Descrever a importância sócio-cultural da Igreja Católica, aqui representada, além dos seus costumes pelo seu belíssimo templo, torna-se desnecessária. De fato, independente da intenção, os responsáveis por este crime cultural devem ser acionados pelos órgãos competentes, estes últimos que também já deveriam ter sido acionados para apurar o processo de “reforma”.
Da mesma forma, independente a quem caiba a fiscalização, é notável que a Secretária de Cultura do município deveria averiguar os procedimentos adotados. Mais que isso, teria o município concedido liberação para realização da obra? Pois se foi concedido, estaria o município também conivente. O que torna a situação mais delicada, pois cabe a este a manutenção e preservação do patrimônio público e histórico, independentemente de anseios autônomos daqueles que são responsáveis pelos patrimônios.
Por fim, a questão não é se ficou “bonitinha” ou “feinha” como alguns moradores estão comentando. O centro da questão é a deteriorização de um patrimônio histórico, que apresenta nele contribuições para a formação da comunidade catuense e até compõe a identidade do povo catuense. E pra deixar bem claro – patrimônio histórico não passa por reforma, mas por restauração – estes dois termos têm conceitos e definições legais bem distintas. Restauração não trata-se apenas de construção civil, mas de história também.
Por: Magnum Seixas



