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Catu: Como uma das maiores economias baiana entrou em decadência?


Outrora referenciada como uma cidade próspera com base na industria do petróleo e gás, em pouco mais de uma década passou apenas a circundar como uma economia coadjuvante e sem muita importância no cenário estadual. Como explicar esta decadência e desaceleração de uma economia até então recentemente pujante?

Estas explicações estão assentadas num prisma de hipóteses, mas representadas sobre os indicadores de Valor Adicionado (IVA) da economia local e o conseqüente Índice de Participação do Município(IPM), disponibilizado pela Secretária da Fazenda do Estado da Bahia. O valor adicionado corresponde à adição de valor da economia local, em outros termos seria o PIB subtraído dos impostos, já o IPM corresponde a parcela de participação de cada município nos repasses estaduais, tendo como referencia principalmente o IVA, e outros aspectos menos relevantes.

Os indicadores apontam que em 1997 o município de Catu representava a 6ª economia do Estado, com 2,42% do IPM, atrás apenas de Salvador, Camaçari, São Francisco do Conde, Feira de Santana. Em 2008 com participação de apenas 0,2% do IPM ocupava a 44ª posição entre os municípios Baianos. O fato é que o valor adicionado principalmente da industria catuense tem decaído bruscamente, enquanto outros municípios cresceram. Em termos relativos seria como a cidade tivesse obtido uma perda de importância estadual equivalente a 90,7% em 11 anos. Caso mantivesse durante o período abordado o mesmo IPM o repasse estadual ao município seria próximo a R$ 500 milhões, bem superior aos próximos R$ 50 milhões repassados no período, somente em 2009 o repasse corresponderia a R$ 64,98 milhões, superior ao total da arrecadação municipal.(clique na imagem para vizualizar melhor)
Em 2008 Valor Adicionado do município de Catu foi de R$ 128.815.809,35, sendo o menor em 5 anos. Existem pelo menos três justificativas com forças relativas para explicar o fenômeno. A primeira consiste numa estagnação das atividades locais, falta de diversificação e ampliação de investimentos, a segunda é referente ao crescimento de outros municípios, ampliando suas participações e diminuindo a de municípios com crescimento mais lento ou estagnado, como o município de Catu. A terceira justificativa e mais sóbria está balizada numa questão política, que envolve transferências de terras do município de Catu para Pojuca. As terras transferidas ao município vizinho é composta por um importante parque industrial, o de Santiago, com produção elevada ligada a atividades petrolíferas e conseqüente elevado valor adicionado. Corrobora está afirmação a salto dado pelo município de Pojuca, que encontra-se hoje como um dos principais receptadores dos repasses estaduais.

Por: Magnum Seixas