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MACAÉ: ilusões na capital brasileira do petróleo

Catuenses estão na lista dos principais grupos de migrantes de Macaé
Todos os anos milhares de brasileiros vão para Macaé com a expectativa de conseguir emprego num dos segmentos de maiores níveis de salários no país, a indústria petrolífera. Entre estes, estão milhares de catuenses que durante anos afluíram para Macaé. Segundo informações do IBGE da contagem populacional no município fluminense, Catu é o 16º município no país que mais manda pessoas para Macaé. No nordeste só fica atrás de Salvador e Aracaju. As mesmas estatísticas do IBGE mostraram que dos migrantes catuenses apenas 33% possuíam trabalho ligados direta e indiretamente a indústria do petróleo, 23% estavam como trabalhadores domésticos. As informações mostram, que no geral, migrantes tendem a ter suas moradias em regiões periféricas da cidade.
 Na década de 1970 a Petrobrás escolheu a cidade de Macaé para ser a sede da empresa e este investimento atraiu mais de 4.000 empresas nestes anos. De uma pequena e pacata cidade turística fluminense, Macaé se tornou a capital brasileira do petróleo com um dos maiores crescimentos econômicos do mundo (O PIB cresceu 700% desde 1980). A população que não ultrapassava 30 mil habitantes em 1970 chegou em 2010 com 206,7 mil habitantes. Somente nos últimos 10 anos foram quase 75 mil novos habitantes.
Apesar da elevada arrecadação municipal com os benefícios do petróleo (somente com royalties em 2010, segundo a ANP, foram arrecadados R$ 356 milhões), o município não consegue atender as principais demandas sociais em função da ampliação da população. Estima-se que apenas 10% da população é atendida por saneamento básico, a taxa de homicídios cresceu 322% entre 1980 e 2010. Macaé é um Oasis em desigualdade. Dois entre três habitantes moram em favelas ou em áreas sem planejamento urbano. Em 2000, 15% da sua população era pobre, isto é, com renda média familiar inferior a metade do salário mínimo.
Mercado de Trabalho
Macaé é conhecida como a terra das oportunidades. Mas oportunidades para quem? O município gera muitos empregos, sobretudo, ligados a indústria do petróleo. Contudo, como acontece em todo o país a exigência por mão de obra especializada amplia-se cada vez mais. Os profissionais de nível superior ou técnicos tem cada vez mais participação nos empregos de elevados salários. Já as pessoas com grau de instrução inferior, acabam por ser absorvidas por atividades com menores níveis de salários como serviços, comércio e construção civil, que chegam a receber 5 vezes menos que um trabalhador da indústria do petróleo. Informações do Cadastro de Empregados e Desempregados (CAGED), 2010, mostra que 35% dos trabalhadores com nível superior no município estão alocados na indústria petrolífera, enquanto com 1º grau não chega a 6%.
As informações da Relação Anual de Informações Sociais(RAIS) apontou em 2009 que 23% de todos os empregos em Macaé está ligada a Extração de petróleo e gás ou a serviços especializados diretamente ligado a indústria petrolífera. Somente nestes dois segmentos foram criados 20 mil empregos entre 2000 e 2009. Contudo foram empregos com qualificação mais avançadas e mão de obra com experiência. Este processo induz a afirma que os grupos com baixo grau de instrução estão sendo eliminados do mercado de trabalho local, restando aqueles com elevada experiência, que em certa forma compensa a desqualificação educacional. Trabalhadores com até primeiro grau em 2000 representava 29,1% dos postos de trabalho, já em 2009 representaram apenas 5,4%. Por outro lado o nível superior que representava 15,8% passou a 31,1%. O grupo de 2º grau cresceu, mas está ligado ao ensino técnico. Observe tabela abaixo:
Fonte: RAIS
O salário médio nestes segmentos foi de R$ 9.667. Contudo, em média, um trabalhador com nível superior recebe o dobro de um trabalhador com 1º grau e 50% a mais que um com 2º grau. Isto porque enquanto um trabalhador com nível superior recebia R$ 12.471 mensais, um trabalhador com 1º grau recebeu R$ 6.442 e com 2º grau R$ 8.565.
Em 2010 dos 1.710 postos criados, todos foram para nível superior(21%) e 2º grau(79%). Forma extintos 136 postos de trabalho ocupados por trabalhadores com 1º grau. Além da exigência da especialização outro grande empecilho nos empregos mais rentáveis é a experiência. Se no ano 2000, em 67% dos casos os trabalhadores tinham até 3 anos de experiência no ano de 2009 caiu para 40%. Já o grupo com mais de 10 anos de experiência saltou de 8,6% para 26,7%.
Fonte: RAIS
Pré-sal e elevação da migração
Um dos temores dos gestores municipais fluminenses com a exploração do pre-sal é a explosão migratória que poderá ocorrer. Para estados nordestinos, como a Bahia, Sergipe e Rio Grande do Norte, produtores de petróleo em campos maduros, o temor é de esvaziamento do quadro de mão-de-obra qualificada local, que será fortemente atraída pelos elevados salários das atividades na Bacia de Campos. Sabe-se que a demanda por mão de obra do pre-sal será elevada e que no atual estágio não se tem oferta de trabalhadores qualificados suficientes. Estes fato conduzira a elevação dos salários e busca por trabalhadores já qualificados em áreas de menores salários, devido a produção menos rentável, como é o caso da Bahia. Como exemplo teve-se recentemente a absorção pela empresa Trans Ocean na região de Catu de centenas de trabalhadores.
Por: Magnum Seixas

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