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Consumo de famílias catuenses cresce 15,6% ao ano e atingiu R$ 402 milhões em 2010.

 Este resulta revela Catu entre os 30 melhores mercados consumidores da Bahia
Consumo das famílias catuenses alcançou R$ 402 milhões em 2010 e representa o 30º maior mercado consumidor do Estado. Entre 2005 e 2010, o crescimento anual efetivo do consumo no município de Catu foi de 15,6%. Em 2005 o consumo das famílias catuenses era de R$ 194,5 milhões. Estas informações foram obtidas através de analise do Expresso Catuense de informações disponíveis no software IPC Maps 2010 desenvolvido pela empresa de Marketing e Consultoria Target, que atua a quase 30 anos no mercado brasileiro. O IPC da Target é um dos principais indicadores de consumo do país e tem como base informações primárias do IBGE e outras fontes oficiais.

Consumo micro-região de Catu. Clique na imagem para visualizar melhor.

O elevado potencial de consumo das famílias catuense e seu crescimento acelerado nos últimos anos levanta a questão da necessidade de expansão do comércio local como forma de internalizar renda e desta forma gerar mais empregos e ampliar arrecadação municipal de tributos, hoje destinada a centros mais competitivos como Alagoinhas e Salvador. Por exemplo, o elevado crescimento do consumo de eletrodomésticos no município, que em 2010 contatou R$ 10 milhões, vem atraindo grandes redes nacionais como é o caso da Insinuante, Lojas Maias e Guaibim. Já o setor de vestuário, com um mercado de R$ 19,5 milhões pouco se diversificou e as famílias estão deslocando seu consumo para cidades mais bem estruturadas. Outro problema observado é o transporte público, desestruturado no município, mas que representa um potencial de consumo superior a R$ 11 milhões anuais.

Os principais itens de consumo catuense
Manutenção do lar apareceu como o principal gasto das famílias catuense, representando 23,2% ou R$ 87,9 milhões, de todo o consumo. Na manutenção do lar está incluída as despesas com aluguel, energia, telefonia, gás, agua e esgoto e consertos de aparelhos domésticos. Os gastos com alimentação aparecem em seguida como um dos principais gastos dos catuenses, representando 20,5% do total, destes 15,2% foram consumidos em alimentos de consumo em domicílio e 5,3% em alimentação realizada fora do domicílio. A saúde é o terceiro item de maior gasto no município, cerca de 8,5% do orçamento destinado ao consumo são gastos com medicamentos, hospitais e clínicas. Os gastos com transporte representaram 7,3% do consumo, sendo 4,4% com veículos próprios(combustível, manutenção, etc) e 2,9% com transporte público.
O fato que chamou atenção foi o baixo gasto das famílias catuense com Educação, representou apenas 2,1% do orçamento, sendo 1,5% com matrículas e mensalidades e 0,9% com livros e materiais didáticos.
Os segmentos que mais cresceram
O consumo que mais se expandiu entre as famílias catuenses entre 2005 e 2010 foram o de medicamentos e eletrodomésticos, com taxa efetiva anual de 22,3% e 21,8% respectivamente. Em média uma família gastou em 2010 R$ 1.043 com medicamentos e R$ 778 com eletrodomésticos. Gasto com veículos próprios representou o terceiro maior crescimento no período, com 19,8%. A despesa média com manutenção dos automóveis em 2010 foi de R$ 1.377, somente atrás do consumo de alimentos( R$ 6.447)e manutenção do lar( R$ 7.283).
As despesas relacionadas a livros e materiais didáticos obteve o menor crescimento anual no período, apenas 6,7%.
Destaca-se também o consumo das famílias rurais, que superou os R$ 22 milhões em 2010, e tem tido crescimento anual de 19,1%. É um publico pouco explorado e que tem se expandido, embora todas as dificuldades de mobilidade entre zona rural e urbana no município.
Agravante social: Quem são os consumidores catuense?
Embora representem apenas 23,7% das famílias catuenses, a classe A e B(renda mensal superior a R$ 5.350) responderam por 53% do consumo. Já a classe C(renda mensal superior a R$ 1.650 a R$ 5.350) é o onde está localizada maior parte das famílias catuense. São 6.390 famílias neste grupo, ou seja, 52,9% e representam 38,5% do consumo local.
 Representando 23,7% das famílias locais, as classes D e E(renda mensal inferior a R$ 1.650), “comeram” apenas 8,5% do bolo de consumo. Este fato deixa explicito o perfil desigual da cidade de Catu. Como base desta afirmação está a comparação do consumo médio anual do grupo A1(renda superior a R$ 14.500) superior a R$ 91 mil em 2010, enquanto a média de consumo da classe E em 2010 foi pouco superior a R$ 4 mil em todo o ano.
A desigualdade de rendas está presente no tipo de consumo. Enquanto em uma família da classe A o consumo de bens básicos representam apenas 31% do total, numa família classe é o consumo essencial garimpa 80%. Este fato explica o porque uma família classe A pode gastar 3,2% do orçamento com educação, enquanto uma família classe D ou E não alcança nem 1%, ou seja, enquanto uma família classe A desembolsa em média por ano R$ 6,2 mil, a família classe E não chega a gastar R$ 100, recorrendo ao sistema público, sucateado. Numa comparação ainda mais esdruxula, o gasto médio de uma família classe A com manutenção de veículo é 3 vezes superior a todo o consumo de uma família classe E.
Por: Magnum Seixas
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