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Qual o impacto da crise na Lupatech sobre a economia catuense?


Quando trouxemos uma série de reportagens sobre a crise financeira da Lupatech, poucas pessoas se deram conta da magnitude dos efeitos negativos socioeconômicos que podem acarretar sobre o município.

A Lupatech em Catu só emprega menos do que a prefeitura, que possui cerca de 1.400 funcionários (entre efetivos, temporários e comissionados).

Ainda assim, os níveis de salários médios do setor onde se encontra a Lupatech é muito superior aos ofertados pela prefeitura. Salário médio em 2011 de R$ 3 mil do setor de serviços de apoio a extração de petróleo e gás no município, segundo a Ministério do Trabalho.

Somente a unidade da antiga Sotep possui 896 funcionários, de acordo com a FIEB, isto é, cerca de 10% de todos os empregos formais do município (De acordo com a RAIS 2011).

Aprofundada a crise na Lupatech, estima-se que somente com salários, deixariam de circular na economia local algo em torno de R$ 3,3 milhões mensais ou R$ 40 milhões anuais.

Impacto semelhante ao de uma paralisação nos pagamentos de salários da prefeitura local (gastos com pessoal em torno de R$ 40 milhões em 2012).

O comércio local sabe bem o tamanho do problema que isso representa.

Obvio que nem todos os trabalhadores da Lupatech são do município de Catu, mas uma quantidade expressiva residem. Da mesma forma ocorre na prefeitura, especialmente entre os concursados. Por isso a comparação.

Outro impacto relevante, mas difícil de mensurar, são as compras de bens e serviços realizados pela empresa, quer dizer, a rede de fornecedores.

Para o funcionamento de uma empresa deste porte é necessário a compra de bens mais simples, assim como os mais concentrados em tecnologia. Da mesma forma com os serviços exigidos, dos mais simples aos mais intensivos em especialização.

São fornecimentos que movimentam milhões de reais anualmente, assim como geram centenas de empregos. Alimentação e transporte dos trabalhadores, serviços clínicos e médicos, hotelaria, metalurgia, serviços mecânicos, lavagem industrial, entre outros inúmeros.

Ao romper o fornecimento, uma empresa deste porte, compromete a cadeia e tem um efeito multiplicador inverso, na geração de emprego e renda.

O impacto social
Contudo, nos cabe observar ainda com mais sensibilidade os impactos sociais diretos. A criação de uma massa de desempregados, diretamente ligada a empresa, diretamente ligada aos fornecedores e indiretamente na economia local impactada pelo menor nível de consumo com a perda de uma massa de salários importante.

Os trabalhadores que perdem o emprego na empresa podem com o tempo ter a possibilidade de novas colocações no mercado de trabalho, em função da maior especialização e experiência adquirida. Inclusive boa parte destes podem ser absorvidos por outras regiões produtoras.

Mas até ai a ruptura da cadeia comercial já comprometeu a economia local que estará num nível mais reduzido da produção de bens e serviços.

As possibilidades
Parecem existir duas alternativas bem restritas em caso de aprofundamento da crise na empresa: A Petrobras voltar a fazer licitação com os serviços ganhos pela Lupatech ou a própria Petrobras incorporar estas atividades por meio da criação de uma subsidiária.

A Petrobras realizaria novas licitações em caso de encerramento das atividades pela empresa na região. Ao licitar uma nova empresa ganharia os serviços, que pode ser uma empresa já atuante na região ou não. Contudo essa via seria de grande incerteza para a massa de trabalhadores que atua hoje na Lupatech.

A outra possibilidade, conforme defende o Sindicato dos Petroleiros (SINDPETRO), seria a incorporação dos ativos e passivos da empresa pela Petrobras por da criação de uma subsidiária, o que manteria as atividades e os empregos dos trabalhadores (Veja entrevista com Radiovaldo Costa do Sindpetro).

É uma alternativa complicada, mas possível, visto que já ocorreu em outros casos de crises de empresas importantes do setor.

Seria a melhor alternativa diante do cenário exposto.

Em conversa com o sindicalista e vereador do município de Alagoinhas, Radiovaldo Costa,  me revelou que uma campanha poderia ser levantada no sentido de buscar a preservação dos empregos e das atividades das unidades por meio da incorporação pela Petrobras. Para esta campanha ganhar forma será preciso o empenho da sociedade e do poder público.

Em Catu, como o caso é de amplo interesse público, ressaltou a necessidade de levantarmos esta campanha juntamente com o administração municipal.

De fato a situação é extremamente delicada. Seria prudente que o governo municipal acompanhasse o desenrolar desse processo e avaliar as possibilidades diante do que venha a se concretizar.