Choque de moral precisa chegar a Câmara de Vereadores
A renovação da Câmara na eleição de 2008 não garantiu que os escândalos e atitudes imorais fossem afastadas daquela Casa. Dos atuais vereadores, 60% são de primeiro mandato, a exceção ficou por conta dos vereadores Adilson, Nego, Nenga do Leite e Antônio Borges.
A gestão que os antecederam foi marcada por escândalos de corrupção e ameaças que, inclusive, teve que contar com a necessidade da polícia intervir para garantir a ordem e a segurança dos vereadores. Na ocasião, o centro do escândalo foi o vereador Cal.
Com a renovação de 2008 esperava-se que mudanças se efetivassem. Não ocorreram, deixando a lição que não adianta apenas mudar as caras. É preciso mudar a cultura política e assimilar quais as reais funções de um vereador.
Da atual gestão na Câmara, o ápice foi atingido com o escândalo dos combustíveis, a visibilidade da culpa ficou particularmente com o vereador Nego (então presidente da Câmara). Mas a irregularidade só ocorreu porque tinha quem recebesse (e exigisse) a indevida ‘quota de combustíveis’. Neste caso, com exceção do vereador Adilson (que denunciou a prática), todos os demais.
A distribuição de combustível é um esquema impetrado há muito tempo na Câmara e tinha que se dar um basta. Culminou na gestão do vereador Nego, mas todos os demais deveriam ser punidos, não só os presidentes, mas todos que participaram da irregularidade. Afinal, todos tinham conhecimento que a prática era irregular – avisos não faltaram, assim como pareceres de tribunais.
Por incrível que pareça a condenação do vereador Nego não foi suficiente para servir de exemplo e medidas similares devem ser adotadas. Assim, exigi-se a coerência de mostrar que o objetivo não foi atingir uma única pessoa, mas a prática que destoa da legalidade.
Como dito, o caso do combustível foi o ápice de uma série de escândalos e más condutas no Legislativo catuense. Ameaças e intransigências se tornaram um ritual cotidiano daquela Casa.
Votação de projetos na chamada popular “calada da noite”, isto é, faltando dois dias de findar o ano de 2010 – como foi o caso da mudança de valores do IPTU e a criação da COSIP (Tributo a ser pago por catuenses pela iluminação pública, que já se falam em resgatar). Sobre isso escrevi na época Na Calada da Noite: Loucura, insensatez, estado inevitável?
Como não lembrar da segunda votação do empréstimo de R$ 15 milhões, quando a jogaram para um meio de semana, pela manhã, com claro intuito de esvaziar a sessão, após enfrentar uma primeira votação com a Câmara cheia e sob protesto? Justificativa: tratava-se de uma situação urgente-urgentíssima.
E as ameaças, sem disfarçar do público em meio a plenária, há de marcar também esta gestão. Quem há de esquecer a arrancada enfurecida do atual presidente da Casa, Alex do Hospital, em direção a um cidadão que discordou da forma que o mesmo conduzia a sessão? Quase uma sessão de vale tudo, registrada e disponibilizada na rede, causando horror nos internautas que jamais imaginavam que tais condutas eram comuns naquela Casa Legislativa. O caso rendeu uma queixa na delegacia de polícia. Veja a cena em Barraco: presidente da Câmara de Vereadores parte para o vale-tudo
Ainda na sessão o colunista do Expresso Catuense, Romisson Silva, foi ameaçado pelo vereador Paulo de Cacinho, por ter registrado todas as cenas.
Em outro episódio, novamente o presidente da Casa, Alex do Hospital, foi tirar satisfação do jovem Michel Santos, alegando que o mesmo ria enquanto o vereador estava em pronunciamento. Em analogia aos risos, conforme revelou o Jovem ao Expresso, o termo ‘putinha’ foi o encontrado pelo vereador, indagando a situação.
As situações foram diversas nestes anos. Se alongar sai um livro oportunamente intitulado de “Rompendo as regras de etiquetas, morais e éticas”.
“Todos contra um” seria um título interessante para o reality show protagonizado todas as terças-feiras na Câmara. Digamos que o vereador Adilson venceu aquela temporada agonizante do reality.
Daqueles então opositores restaram apenas três, o vereador de mandato eterno, Nenga do Leite, além dos vereadores Alex do Hospital e Paulo de Cacinho.
Bom. E está entre os remanescentes a provável disputa pela presidência da Câmara em 2013. O que seria algo de acontecimento natural em política. A verdade é que os recém-chegados não possuem Know-How para tal empreitada. E é necessário. Qualquer insinuação no sentido contrário trata-se apenas de jogada política e se concretizada, trata-se de um ato inconsequente. (É importante ressaltar que dos 13 vereadores eleitos, 2 retornam a casa após anos fora, são eles: Pequeno Sales e Enéas)
Ah! Troca-troca de camisa parece que permanecerá na próxima temporada. Um governo sem oposição é o que está desenhado. Assim se anteciparam os velhos e os novos que argumentam como se oposição fosse jogar contra e nisso bastasse. Bom, a falta de formação política parece ensejar a constância e apatia legislativa em Catu.
Que o rio tradicionalmente corre para o mar é sabido por todos, se tornou quase que natural. Se o mar engolir o rio e também for encarado como natural será trágico. Quer dizer, uma tragédia maior, já que a anterior era prenunciada.




